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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Festa no Ocidente. Leandro Dóro e Maurício Fuzzo


Maurício Fuzzo & Amigos no Ocidente

Maurício Fuzzo é um dos grandes caras do rock gaúcho atualmente. Nascido em Passo Fundo, aqui em Porto Alegre ele compunha e interpretava para a banda que criou nos ainda anos 90, Os Malvados Azuis. Esse grupo acabou se dissolvendo e virou Locomotores.

Ele também já participou de projetos de artistas como Júpiter Maçã, Wander Wildner, Gustavo Telles, e da banda Identidade.

Recentemente, alguém invadiu a casa do Maurício e levou todos os instrumentos dele. A comunidade roqueira de Porto Alegre se comoveu, e, unidos, vão fazer um showzasso hoje para arrecadar grana e repor os instrumentos de trabalho.

É hoje, 25 de Outubro às 21 horas no Ocidente (João telles esquina Osvaldo Aranha). O Fuzzo vai reunir nomes como Wander Wildner, Júlia Barth, Jimi Joe, Nenung, Frank Jorge, Solon Fishbone, Gustavo ”Prego” Telles (Pata de Elefante), além de Alexandre Papel, Gustavo Chaise, Jerônimo Bocudo, KClaudio Mattos, Eduardo Barreto, Daniel Tessler, Zé Docinho, Bruno Suman, Pedro Metz e outros.

Fonte: http://ipanema.uol.com.br/uol/novo/php/ncoisas/leitor.php?main=blog&id=740

domingo, 24 de outubro de 2010

Fernanda Takai e Nico Nicolaiewsky na UFRGS


Tiago Flores, Nico Nicolaiewsky, Pedro Verissimo e Fernanda Takai em uma noite memorável
Imagem: Marcos Massa

Salão de Atos da Ufrgs lotado, clima de Gre-nal acontecendo ao mesmo tempo que o show, músicos da orquestra acompanhando o jogo no radinho segundos antes de entrar no palco... E, no final do espetáculo, só se ouvia uma palavra que não combina em nada com clássicos de futebol: “leveza”.

Como quem domina um drible com maestria, Fernanda Takai, Nico Nicolaiewsky e a Orquestra de Câmara da Ulbra conseguiram fazer com que o resultado do espetáculo fosse um só: a alegria geral por ter presenciado um show inesquecível. E, sim, ironia das ironias: o Gre-nal terminou com um empate.

No palco, descontração total. Nico tentava disfarçar seu nervosismo de gremista fanático e começou o show com maestria: a música creditada como “Abertura” no programa do espetáculo era, na verdade, uma versão instrumental criada por Fernando Cordella para “Só cai quem voa”, do primeiro disco de Nico. É uma tradição dos Concertos Dana iniciar o show com uma música instrumental, e o solista se esmerou ao piano, junto com os dois solistas convidados para os sopros: Amauri Iablanovski (flauta e sax soprano) e Marcelo Piraino (clarinete e clarone). Nico diverte-se ao piano e vai perdendo a timidez característica. Na hora de dizer “Boa noite” ao público, já estava em casa.

A emoção de Nico no Concertos Dana
Imagem: Marcos Massa

A segunda canção do show foi “Feito um picolé no sol”, também de Nico Nicolaiewsky, do seu disco mais recente, “Onde está o amor”, que traz uma nova veia do compositor: a pop. A letra é dolorosa e a melodia vai crescendo devagarinho. Silêncio absoluto na plateia, todos prestam atenção na longa letra e... ela é tão abrangente que é difícil não se identificar com um trecho que seja. “Tô ficando meio assim xarop/Dessa lenga lenga, já amarrei o bode/Pode crer que tudo tem a ver com tudo/Tem a ver com o mundo/Tem a ver com ser perfeito”. Ao final da música de quase sete minutos, Nico e a Orquestra são aplaudidos efusivamente.

Um dos grandes momentos do show viria em seguida: a versão de Nico para “Ana Julia”, dos Los Hermanos. Nico começou a interpretar essa canção em seu show “Música de Camelô”, mas fez tanto sucesso que o cover seguiu na turnê de divulgação de “Onde está o amor”... Com apenas Nico ao piano e um cello acompanhando. Aqui, com toda a Orquestra de Câmara da Ulbra e arranjo novo de Fernando Cordella, o ciclo fica completo. Nico não canta o refrão na versão dos Concertos Dana: ele é tocado pelos violinos da Orquestra. A ênfase que Nico queria dar era na beleza da letra, totalmente soterrada pelo imenso sucesso da música. E conseguiu: não foram poucas as pessoas secando as lágrimas insistentes no final da execução de “Ana Julia” no Concertos Dana.

A próxima música é a mais nova de Nico, escrita em parceria com Pedro Verissimo, que faz uma participação especial no Concertos Dana, em dueto com o amigo Nico. É “Bela Baila”, uma inédita que ainda não entrou em nenhum disco de Nico. Pedro está morando no Rio de Janeiro, e ensaiou a música com a Orquestra apenas no sábado. “Imagina que programão de sábado: ensaiar UMA música e passar a tarde ouvindo o Nico e a orquestra tocando essas versões lindas”, disse Pedro, antes do show começar. O dueto é dramático como a letra da canção, e o arranjo de Fernando Cordella privilegia os violinos. A voz de Pedro e Nico combinam, e esta é a primeira vez em que se apresentam juntos cantando um dueto.

Depois de Pedro sair do palco, Nico pega o acordeon, instrumento tão familiar, e diz: “a hora é agora”. Silêncio no palco e no Salão de Atos. Aos primeiros acordes de violino, Nico coloca-se ao lado do maestro e, quando abre o acordeon, a melodia familiar é reconhecida. “O maior golpe do mundo/que tive na minha vida/Foi quando aos nove anos/Perdi minha mãe querida”, o clássico do tradicionalismo gaúcho de Teixeirinha autobiográfico que narra com precisão os detalhes do garoto que perdeu sua mãe em um incêndio. A letra é primorosa por ser tão real, e Nico interpreta-a como se tivesse vivido aquilo, os violinos entrando quase com violência... Os mais atentos notam que a voz de Nico vacila, ele está emocionado. E, ao final, é aplaudido em pé, como não poderia deixar de ser. Ele ainda consegue brincar: “Calma, gente, tem mais! Isso que a Fernanda nem entrou ainda!”. Risos gerais. Nico toca a delicada ''Flôr'', parceria de Nico com Silvio Marques. No novo arranjo, há um grande espaço para os instrumentos de sopro e um solo de clarinete, hora dos solistas brilharem.

Fernanda canta "Luz Negra"
Imagem: Marcos Massa

Em seguida, ele chama Fernanda Takai para o palco, em clima de brincadeira, claro. Chamando-a de mineira, quando na verdade ela nasceu no Amapá, Nico lembra do período em que ficou “acampado” na casa de Fernanda e seu marido John Ulhôa, quando este último produziu o disco “Onde está o amor”. “Eu era só a garota da produção, do cafezinho. E aprendi a ferver a água do mate do Nico”, ri Fernanda. “Desde então, nunca faltou mate lá em casa. Mas deve estar vencido”, brinca ela, arrancando risadas gerais do público e de Nico. Os dois amigos cantam “A Vida é Confusão”, que aqui tem arranjo de Daniel Wolf. A música de Nico é de uma honestidade emocionante, mais uma vez um primor de letra. A música começa assim: “Não sei se foi mentira o que eu falei/Não sei se foi maldade o que eu pensei/Não sei se foi por ti/Não sei se foi por mim/Não sei/Não sei”. E o coração de toda a plateia está nas mãos dos dois, tamanha honestidade.

Depois, Fernanda introduz “Luz Negra”, dizendo que amou o arranjo que o violoncelista Arthur Barbosa fez para a canção de Nelson Cavaquinho, transformando-a num bolero. A letra, tristíssima, é acompanhada pela plateia bem baixinho, em tom de reverência. Fernanda canta com maestria o samba-fossa, que ficou com uma levada de blues na sua versão, tudo a ver com a letra desesperançada de Nelson Cavaquinho.

Para contrabalançar, entram os primeiros acordes de ''Diz que fui por aí'', de Zé Kéti e Hortêncio Rocha, uma música que virou marca registrada de Nara Leão. E também que foi responsável por toda uma nova geração de amantes de música conhecerem Nara Leão através do disco-tributo de Fernanda Takai. A música é repleta de leveza, característica marcante de Fernanda como intérprete, e a letra foi acompanhada pela plateia, toda na mão de Fernanda Takai. Ela ainda emenda esta música em outra doçura: “Com Açúcar, com Afeto”, que Chico Buarque escreveu especialmente para Nara Leão. “Uma overdose glicêmica de boa música”, como disse Sylvio Pinheiro, que acompanhava o show e postava no Twitter ao mesmo tempo.

''Insensatez'', de Tom e Vinicius, que começa com um solo de flauta, e segue numa levada mais sincopada do que a original. O arranjo novo da música deu a ela uma levada mais triphop... A música é tão linda que poderia encaixar-se em qualquer gênero musical. O ousado arranjo de Rodrigo Bustamante agradou em cheio ao público e também a Fernanda. “Adoro triphop, e essa levada tem tudo a ver com a letra soturna de ‘Insensatez’”, disse ela.

Nico e Fernanda no dueto de "Ben"
Imagem: Marcos Massa

Fernanda e Nico cantam juntos ''Ben'', conhecida na voz de Michael Jackson quando ainda fazia parte do Jackson 5. Nico conta que essa música emocionou-o quando ele assistiu o show da turnê “Luz Negra”, de Fernanda, em Porto Alegre. Felicíssimos, os dois dançam no palco enquanto a Orquestra da Ulbra executa o arranjo de Michel Dorfman. É a última música do Concerto, mas como diz Fernanda, ''todo final de show é subjetivo'', instigando a plateia a pedir por um bis que, é claro, viria em seguida. Mas, antes, os solistas, maestro e Orquestra de Câmara da Ulbra foram aplaudidos em pé em um dos Concertos Dana que já entrou para a história.

Na hora do bis, voltam Fernanda e Nico, e a primeira música tocada é ''Só cai quem voa'', do primeiro disco solo de Nico, acompanhada pela plateia com palmas. A letra, despojada e alegre, e o refrão deliciosamente grudento contagiaram a todos.

E então Fernanda volta ao palco, trazendo Pedro Verissimo pelas mãos. Provou que gosta de improvisos. Nico viu-a entrando e disse ao microfone, enquanto ela se aproximava com cara de menina levada em direção ao maestro: “Olha ela, lá vem ela, vai mudar tudo!”. Risos gerais. No programa, estava previsto um bis de “Luz Negra”, de Nelson Cavaquinho. Porém, Fernanda quis surpreender o amigo e a todos. Pedido feito, maestro concordou, e Fernanda, Nico e Pedro unem-se para cantar “A Vida é Confusão” juntos.

Era a primeira vez que Pedro cantava a música, e o fez no mesmo tom que Fernanda – coisa difícil para qualquer um. Nico, emocionadíssimo, estava ao piano e eventualmente cantava algo do refrão. Fernanda conseguiu o que queria: além de uma noite inesquecível para a plateia, ficará na memória dos três solistas convidados e também do maestro e da Orquestra de Câmara da Ulbra. Bravo!

Fonte: http://www.danaalbarus.com.br/cultural/nossos_projetos.asp?idTag=380&idProjeto=1408